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A Flora Intestinal
28 dezembro, 2020 Margarida Pires

A Flora Intestinal


Por: Margarida Pires

Para a medicina oriental, os intestinos são considerados como a nossa raiz, por comparação com as plantas. É através deles que obtemos os nutrientes que vão ser
transportados pelo nosso sangue a todo o corpo. Já Hipócrates, 400 anos antes de Cristo, afirmava que todas as doenças têm início nos intestinos.

No entanto, os intestinos têm sido um órgão muito subestimado pela medicina ocidental que começa agora a virar a sua atenção para ele. Na verdade, uns intestinos afectados
produzem toxinas e permitem a sua passagem para o sangue, pelo que qualquer célula, qualquer órgão, pode ser afectado por estas toxinas.

A saúde intestinal tem por base a flora microbiana que nele habita e que se estende à pele a as outras mucosas do nosso organismo. Verifica-se que a humanidade está numa
relação simbiótica com os microrganismos. Apesar de invisíveis, eles sempre estiveram presentes e são essenciais à digestão e à nossa imunidade.
Aqui ficam alguns factos científicos impressionantes sobre os microrganismos que nos habitam, o nosso microbioma:

- 90% das células que formam o nosso corpo são de facto micróbios – é um número incrivelmente grande e dificilmente nos apercebemos dele porque as nossas células
são consideravelmente maiores.
- Dos microrganismos que nos habitam, 99% vivem nos intestinos;
- Os microrganismos do nosso intestino pesam até 2kg e correspondem a cerca de 1 bilião de bactérias;
- Num grama de fezes existem mais bactérias do que seres humanos à face da Terra
- 10% da nossa nutrição é produzida pelas nossas bactérias.

A maior parte desses micróbios protege-nos pelo simples facto de não deixar espaço para as bactérias nocivas. Eles desfazem os alimentos que não digerimos, fornecem energia ao
nosso intestino, produzem vitaminas (principalmente do complexo B), decompõem toxinas ou medicamentos e treinam o nosso sistema imunitário. Muitos deles produzem pequenos ácidos gordos que são fundamentais para a saúde das vilosidades intestinais, melhorando a sua capacidade de absorver nutrientes e de bloquear a passagem de detritos. Outros produzem pequenas quantidades de ácidos, antibióticos ou anticorpos protegendo-nos das bactérias nocivas. Outros ainda colaboram com as células imunitárias dos intestinos no sentido de as ajudarem a reconhecer potenciais infectantes e tomar as medidas mais adequadas.

A Dieta Macrobiótica promove a riqueza e equilíbrio do microbioma através do consumo de alimentos probióticos (isto é, alimentos com bactérias benéficas vivas) e alimentos
prebióticos (que consistem em fibras que no intestino alimentam as bactérias benéficas).

  

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